Entre o sono apareces
resoluto, sem mais nem porquês,
sem som, só imagem e toque.
Mãos dadas, encostadas as faces
que vejo, que vês?
Pele na pele
que sinto, que sentes?
Desejo, beijo,
abraço tão real, intenso,
pleno de ilusão, impossível
de tão intensa vontade
desse envolver, repousar
em suspirada proximidade.
Segundos de devaneio
abraço, aperto, aninhar
entre ombro e queixo, nesse espaço
como se fosse minha morada esse apertar.
Acordo num sobressalto de tranquilidade,
amanheço na segurança desse tocar,
desperto na quietude do teu abraço.
adc
Vou à estante desarrumar, destacar, desviar a poesia que incomoda nos livros fechados.
maio 23, 2007
maio 10, 2007
Vós, quem sois?
Somos os laços que atamos
no caminho empedrado que pisamos.
Somos os nós que apertamos, abraçamos, beijamos
nomes, caras, expressões, pessoas, personagens.
Somos guardados em flashes de sons e imagens
no pestanejar de quem nos ouviu e viu,
somos paisagens.
Somos os vínculos criados
nas ruas, travessas e becos cruzados
com estranhos, conhecidos, colegas, amigos e amados.
Somos todos os abraços sentidos e apertados.
Somos matérias, somos espíritos,
corpos, elementos e ritos.
Somos, ficamos, estamos.
Somos, pertencemos, causamos.
Somos, consistimos, acontecemos.
Somos e desaparecemos.
adc
no caminho empedrado que pisamos.
Somos os nós que apertamos, abraçamos, beijamos
nomes, caras, expressões, pessoas, personagens.
Somos guardados em flashes de sons e imagens
no pestanejar de quem nos ouviu e viu,
somos paisagens.
Somos os vínculos criados
nas ruas, travessas e becos cruzados
com estranhos, conhecidos, colegas, amigos e amados.
Somos todos os abraços sentidos e apertados.
Somos matérias, somos espíritos,
corpos, elementos e ritos.
Somos, ficamos, estamos.
Somos, pertencemos, causamos.
Somos, consistimos, acontecemos.
Somos e desaparecemos.
adc
maio 09, 2007
Impronunciável incoerência
Inconstante
amigo, amante
aterra por aí.
Incoerente
tão igual e tão diferente.
Inconsequente,
mede o que lá vem.
Inacessível com filtro...
fumado até à última.
Incompreensível
atracção.
Inexplicável
luz do dia
Apetecível
amendoim salgado,
fatia de bolo de chocolate.
adc
amigo, amante
aterra por aí.
Incoerente
tão igual e tão diferente.
Inconsequente,
mede o que lá vem.
Inacessível com filtro...
fumado até à última.
Incompreensível
atracção.
Inexplicável
luz do dia
Apetecível
amendoim salgado,
fatia de bolo de chocolate.
adc
maio 05, 2007
Mãe
http://poemasdesarrumados.blogspot.com/2006/09/me.html
http://poemasdesarrumados.blogspot.com/2006/11/ningum.html
Aprendi contigo para que servem os nossos sentidos.
adc
http://poemasdesarrumados.blogspot.com/2006/11/ningum.html
Aprendi contigo para que servem os nossos sentidos.
adc
maio 03, 2007
Vício
Vício das palavras
Afastamento do normal no discurso
Acção imoral de jogar com palavras
Impertinência de frases e sintagmas
Libertinagem de rimas e ritmos
Corruptas associações de vocábulos
Lasciva composição de termos
Redacção de sílabas ordenadas
Só para registar ansiedades de campos semânticos diversos
E a fascinação pelos sons padronizados, persistentes na minha razão.
adc
Afastamento do normal no discurso
Acção imoral de jogar com palavras
Impertinência de frases e sintagmas
Libertinagem de rimas e ritmos
Corruptas associações de vocábulos
Lasciva composição de termos
Redacção de sílabas ordenadas
Só para registar ansiedades de campos semânticos diversos
E a fascinação pelos sons padronizados, persistentes na minha razão.
adc
abril 21, 2007
Apenas uma lágrima
Apenas uma lágrima
rola na minha face.
Valerás apenas uma
dolorosa, intocável...?
Pelo menos tudo molhasse.
Fosse um rio, um lago, um mar
gritando em tempestade.
Apenas uma lágrima
evaporou, condensou e é nuvem.
Valerás um céu cinzento?
A lágrima já não vem,
perdeu-se na sua queda
e enxugou ao vento.
Não posso pagar nessa moeda!
adc
rola na minha face.
Valerás apenas uma
dolorosa, intocável...?
Pelo menos tudo molhasse.
Fosse um rio, um lago, um mar
gritando em tempestade.
Apenas uma lágrima
evaporou, condensou e é nuvem.
Valerás um céu cinzento?
A lágrima já não vem,
perdeu-se na sua queda
e enxugou ao vento.
Não posso pagar nessa moeda!
adc
abril 16, 2007
Num sol laranja de final de tarde,
Relembro-te num pestanejar de saudade,
Recordo-te salgado e alheado.
Entre a melodia electrónica e o ritmo natura,
O som do mar ou a luz de projectores,
A adrenalina de deslizar ou o deleite da caminhada serena,
A imagem tua perdura
Sempre que vieres, sempre que fores.
adc
Relembro-te num pestanejar de saudade,
Recordo-te salgado e alheado.
Entre a melodia electrónica e o ritmo natura,
O som do mar ou a luz de projectores,
A adrenalina de deslizar ou o deleite da caminhada serena,
A imagem tua perdura
Sempre que vieres, sempre que fores.
adc
abril 01, 2007
Por favor
Faz-me o favor
de não perturbar
esta minha harmonia.
Faz-me o favor
de não reordenar
as prioridades do meu dia.
Faz-me o favor
de me deixar entregue
à minha confortável narcolepsia.
Faz-me o favor
de me soltar
tranquila no meu bem e no meu mal.
Faz-me o favor
de me permitir
não ser convencional.
de não perturbar
esta minha harmonia.
Faz-me o favor
de não reordenar
as prioridades do meu dia.
Faz-me o favor
de me deixar entregue
à minha confortável narcolepsia.
Faz-me o favor
de me soltar
tranquila no meu bem e no meu mal.
Faz-me o favor
de me permitir
não ser convencional.
Faz-me o favor
de não alterar a minha posição fetal.
adc
março 29, 2007
Luz
Luz ténue, imagem desfocada e rasto de incerteza,
Farol distante para que não choque,
Lanterna intermitente de inquietude.
É invisível a beleza!
Escureceu para que se não toque,
Para que se não altere ou mude
Quando nasce o dia?
De sombra em sombra,
Arrasta vontade e fantasia.
Já naufragou no intervalo do farol,
Na névoa da indecisão,
No apagar da lanterna impaciente
Sem raio de Sol,
Não ilusão,
Estado dormente.
Afundou no mar da tranquilidade
Não da Lua, do interior
Longe da não verdade
Da noite sem calor.
Luz de presença
Da minha ausência.
adc
Farol distante para que não choque,
Lanterna intermitente de inquietude.
É invisível a beleza!
Escureceu para que se não toque,
Para que se não altere ou mude
Quando nasce o dia?
De sombra em sombra,
Arrasta vontade e fantasia.
Já naufragou no intervalo do farol,
Na névoa da indecisão,
No apagar da lanterna impaciente
Sem raio de Sol,
Não ilusão,
Estado dormente.
Afundou no mar da tranquilidade
Não da Lua, do interior
Longe da não verdade
Da noite sem calor.
Luz de presença
Da minha ausência.
adc
março 22, 2007
Paisagem
A espuma das ondas rola na areia
em flocos leves de algodão que se desvanecem.
O vento insiste num assobio constante,
tudo em seu redor se despenteia.
A areia imita um nevoeiro intenso
numa tempestade brilhante.
As dunas vão decerto se mover.
A gaivota paira no mesmo espaço sem horários a cumprir.
O Sol intenso aclara o gelado entardecer.
As ondas sucedem-se em desalinho, despenteadas, num tom esverdeado
parecem indecisas em chegar à praia.
adc
em flocos leves de algodão que se desvanecem.
O vento insiste num assobio constante,
tudo em seu redor se despenteia.
A areia imita um nevoeiro intenso
numa tempestade brilhante.
As dunas vão decerto se mover.
A gaivota paira no mesmo espaço sem horários a cumprir.
O Sol intenso aclara o gelado entardecer.
As ondas sucedem-se em desalinho, despenteadas, num tom esverdeado
parecem indecisas em chegar à praia.
adc
março 18, 2007
março 11, 2007
Entre meio
Entre nós
há tu, eu,
luz, olhar,
há pequenos nós
que se entrelaçam e desatam.
Entre, no meio
o que escureceu,
o que ficou para dar,
há todo o espaço
para o que faço e não faço.
adc
há tu, eu,
luz, olhar,
há pequenos nós
que se entrelaçam e desatam.
Entre, no meio
o que escureceu,
o que ficou para dar,
há todo o espaço
para o que faço e não faço.
adc
março 07, 2007
Escreve-me
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
Florbela Espanca
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
Florbela Espanca
março 05, 2007
Ainda que mal
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entendas,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda, assim, pergunto:
me amas?
E me queimando em teu seio,
me salvo e me dano...... de amor.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
fevereiro 21, 2007
Longo corredor
Oito portas encostadas
Média-luz
Vazio, estreito
Portas cerradas
Meio escurecido
Paredes nuas
Portas entreabertas
Glacial, insensível, indiferente
Tecto sem cor
Jamais despertas
Ocupa cantos
Preenche espaços
Tranca as portas
Segue em frente
Na penumbra insistente
Desse longo corredor
adc
Média-luz
Vazio, estreito
Portas cerradas
Meio escurecido
Paredes nuas
Portas entreabertas
Glacial, insensível, indiferente
Tecto sem cor
Jamais despertas
Ocupa cantos
Preenche espaços
Tranca as portas
Segue em frente
Na penumbra insistente
Desse longo corredor
adc
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