Guita pendura, amarra, ata pouco bonita
Não escapo entre nó cativa.
Consistente assim, forte fita de nastro,
Me apresento à luz de cuidados, coerente.
Atilho de vestido não é somente decorativo ou enfeite colorido,
Atracção atada do olhar à lua, de átomo a astro.
Fita de cetim de excessivo fulgor, exagerada ousadia,
Compõe laço no cabelo impedido de esvoaçar e reflectir a luz do dia.
Fita de seda ou organza adorna o pulso,
Segura tesouro com confiança ou simples missanga,
Conforme o desafio inesperado, apetecido
Brilhante, suave, delicada
Guita, fita, cordão umbilical que liga mundos, emoções, planos, dimensões
De energia, pele, impressões…
Amarrada, laçada ou livre, esvoaçante guita, atilho, tira, cordel… uma fita.
adc
Vou à estante desarrumar, destacar, desviar a poesia que incomoda nos livros fechados.
junho 18, 2008
maio 28, 2008
Olhares
Olhares frios, amedrontados, olhares tristes e envergonhados
Olhares tantos e tantos olhares…
Há sede de olhares!
Olhares azuis, verdes ou castanhos, não interessa a cor, raça ou sequer tamanhos!
Olhares…
Olhares que observam alguém, que se cruzam, olhares que se admiram e se criticam também.
Olhares que ambicionam, olhares que perturbam, que penetram e olhares que te rasgam.
Há imensos olhares passageiros… sinto sede de olhares, olhares verdadeiros!
Olhares que saciam e satisfazem.
Quero mais e melhores olhares…
Aliás quero um olhar! Um olhar intenso, olhar real. Um olhar que aqueça, olhar que estremeça e me adormeça…
Não sei onde ele está! Olho em redor, olho em diante… estará assim tão distante? Quero esse olhar sincero… Onde pairam os olhares?
Olhares tantos e tantos olhares…
Há sede de olhares!
Olhares azuis, verdes ou castanhos, não interessa a cor, raça ou sequer tamanhos!
Olhares…
Olhares que observam alguém, que se cruzam, olhares que se admiram e se criticam também.
Olhares que ambicionam, olhares que perturbam, que penetram e olhares que te rasgam.
Há imensos olhares passageiros… sinto sede de olhares, olhares verdadeiros!
Olhares que saciam e satisfazem.
Quero mais e melhores olhares…
Aliás quero um olhar! Um olhar intenso, olhar real. Um olhar que aqueça, olhar que estremeça e me adormeça…
Não sei onde ele está! Olho em redor, olho em diante… estará assim tão distante? Quero esse olhar sincero… Onde pairam os olhares?
Andreia Peres
maio 04, 2008
Aqui
Aqui, neste misérrimo desterro
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma — quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.
Ricardo Reis
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma — quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.
Ricardo Reis
abril 28, 2008
Mimo
abril 16, 2008
Sabor a...
Abriga-me
Conforme a taça do doce
Misturado de cacau,
Nos lábios saboreados,
Sabor a ti,
Fundindo, queimando.
Guardo-te
Como quadradinho de chocolate
Embrulhado em prata amarrotada,
Nas tuas mãos, nos teus braços,
Abraçados,
Derretendo, fervendo.
adc
Conforme a taça do doce
Misturado de cacau,
Nos lábios saboreados,
Sabor a ti,
Fundindo, queimando.
Guardo-te
Como quadradinho de chocolate
Embrulhado em prata amarrotada,
Nas tuas mãos, nos teus braços,
Abraçados,
Derretendo, fervendo.
adc
abril 05, 2008
Maquilhagem
Sem batom e não oculta palavras,
Essas serão sempre suaves e duras, doces e amargas.
A sombra, o risco negro escondem a lágrima, o brilho nublado do olhar.
Pó-de-arroz e blush cobrem a palidez da desilusão do caminho,
Apaga as marcas, as mossas da viagem.
Adorna a expressão… absorve toda a luz da paisagem.
Retrato, ao espelho, de alma colorida…
de maquilhagem e acasos da vida.
adc
Essas serão sempre suaves e duras, doces e amargas.
A sombra, o risco negro escondem a lágrima, o brilho nublado do olhar.
Pó-de-arroz e blush cobrem a palidez da desilusão do caminho,
Apaga as marcas, as mossas da viagem.
Adorna a expressão… absorve toda a luz da paisagem.
Retrato, ao espelho, de alma colorida…
de maquilhagem e acasos da vida.
adc
março 21, 2008
Sigo
Faço a mala, viajo para longe de mim,
distante das pessoas que sou.
Rasgo os papéis que escrevo, rascunhos que interpreto
queimo-os no cinzeiro ou a céu aberto.
Faço a mala e digo silenciosamente que não estou,
que vou, rota incerta, estrada aberta, apenas caminhar,
até perder o vagar sem rumo,
assumir um único trilho apagando rastos, sinais, vestigios ou só voltar costas.
Encontrar o equilíbrio, nível, o fio de prumo.
Descobrir-me algures entre decisões
com a bagagem leve, sem necessitar de abrigo.
Faço a mala, por outro atalho, sem pressa... sigo.
adc
distante das pessoas que sou.
Rasgo os papéis que escrevo, rascunhos que interpreto
queimo-os no cinzeiro ou a céu aberto.
Faço a mala e digo silenciosamente que não estou,
que vou, rota incerta, estrada aberta, apenas caminhar,
até perder o vagar sem rumo,
assumir um único trilho apagando rastos, sinais, vestigios ou só voltar costas.
Encontrar o equilíbrio, nível, o fio de prumo.
Descobrir-me algures entre decisões
com a bagagem leve, sem necessitar de abrigo.
Faço a mala, por outro atalho, sem pressa... sigo.
adc
março 20, 2008
março 03, 2008
Concreto vs Abstracto
Torna concreto teus abstractos.
Esculpe visível o sorriso, o olhar brilhante.
Devolve ao perto a presença distante, algo que se possa agarrar... braço, cintura em nó, sem desatar a existência palpável, tocada e abraçada.
Traduz os teus rascunhos em texto legível.
Emite palavras que transformam o inaudível.
Converte o desejo em saborear, substitui a água na boca pelo doce provar, digerir, gostar.
Imagina os sentidos em harmonia.
Transforma as notas florais em perfume de amar, cheira o aroma , a fragrância do abraçar.
Inventa o real dos teus ideais.
Revela concretos os pensados sentimentos, as sensações auxiliadas por figuras de estilo... recursos expressivos concretizando a fantasia.
Mostra quem és no primeiro acto e vive o concreto do pensado abstracto.
adc
Esculpe visível o sorriso, o olhar brilhante.
Devolve ao perto a presença distante, algo que se possa agarrar... braço, cintura em nó, sem desatar a existência palpável, tocada e abraçada.
Traduz os teus rascunhos em texto legível.
Emite palavras que transformam o inaudível.
Converte o desejo em saborear, substitui a água na boca pelo doce provar, digerir, gostar.
Imagina os sentidos em harmonia.
Transforma as notas florais em perfume de amar, cheira o aroma , a fragrância do abraçar.
Inventa o real dos teus ideais.
Revela concretos os pensados sentimentos, as sensações auxiliadas por figuras de estilo... recursos expressivos concretizando a fantasia.
Mostra quem és no primeiro acto e vive o concreto do pensado abstracto.
adc
fevereiro 28, 2008
fevereiro 10, 2008
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
fevereiro 06, 2008

Rendo-me, vendo-me às vossas ofertas e aqui estou, na primeira pessoa, a nomear os blogs que me fazem pensar... embora o tempo me escape mais vezes do que as que desejava e não os consiga visitar a todos.
...magia, palavras e outras coisas...
A Papoila
Fora de mim
Impulsos
Instantes de um Louco
Palavras Soltas... Letras Trocadas
Ponta Solta
Serenismo
Taradisses
... entre outros.
Agora terão que indicar outros blogs que não vos saem da cabeça ou que por uma razão ou outra vos perseguem... ;)
Agradecida pelas outras ofertas.
janeiro 28, 2008
Espaços vazios
Preenche os espaços vazios, a cadeira, o lugar à mesa, o copo, o prato.
Preenche as horas do final do dia. Ocupa os segundos que teimam escapar, tempo de espera, tempo que mato.
Preenche o silêncio que adormece.
Abre a gaveta vaga, usa a toalha do par.
Ocupa a almofada do lado, substitui a noite que arrefece.
Escreve nas linhas, nas margens das folhas.
Liga o interruptor e prenche de luz tudo que olhas.
Ouve as palavras e responde às questões... segredar, murmurar. Formula respostas que tapam as fendas do caminho a pisar.
Preenche os espaços vazios da boca, do respirar, o espaço vazio das mãos.
Obriga-me a abrir a janela pela manhã.
Preenche o escuro com luz do sol e sal do mar.
Balança a minha tranquilidade e alimenta o meu acordar.
adc
Preenche as horas do final do dia. Ocupa os segundos que teimam escapar, tempo de espera, tempo que mato.
Preenche o silêncio que adormece.
Abre a gaveta vaga, usa a toalha do par.
Ocupa a almofada do lado, substitui a noite que arrefece.
Escreve nas linhas, nas margens das folhas.
Liga o interruptor e prenche de luz tudo que olhas.
Ouve as palavras e responde às questões... segredar, murmurar. Formula respostas que tapam as fendas do caminho a pisar.
Preenche os espaços vazios da boca, do respirar, o espaço vazio das mãos.
Obriga-me a abrir a janela pela manhã.
Preenche o escuro com luz do sol e sal do mar.
Balança a minha tranquilidade e alimenta o meu acordar.
adc
janeiro 17, 2008
Frestas
dezembro 17, 2007
Quantificar a dor em miligramas de morfina,
medindo o equilíbrio na dosagem...
procurando o alívio no mundo dos sonhos.
O auxílio de Morfeu,
na sonolência abrigando-se
a dor de alterada imagem do exterior e interior do eu.
Quantificar o sofrimento em lágrimas, em cápsulas
da dor que sabe a sal e não passa na epiglote,
geme e zune no tímpano,
se espalha nas terminações nervosas livres
e rasga a pele... por dentro, por fora.
Rasga o tempo pretérito
mergulha no tempo agora.
Mede o poder de um sorriso
sem esforço, espontâneo.
Essa dor que vi em ti,
entranhou em mim sem consentimento
despedaçando a expressão do olhar,
dilacerando a consistência do sentimento do juízo.
adc
medindo o equilíbrio na dosagem...
procurando o alívio no mundo dos sonhos.
O auxílio de Morfeu,
na sonolência abrigando-se
a dor de alterada imagem do exterior e interior do eu.
Quantificar o sofrimento em lágrimas, em cápsulas
da dor que sabe a sal e não passa na epiglote,
geme e zune no tímpano,
se espalha nas terminações nervosas livres
e rasga a pele... por dentro, por fora.
Rasga o tempo pretérito
mergulha no tempo agora.
Mede o poder de um sorriso
sem esforço, espontâneo.
Essa dor que vi em ti,
entranhou em mim sem consentimento
despedaçando a expressão do olhar,
dilacerando a consistência do sentimento do juízo.
adc
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