Ando
umas vezes salto
outras corro
ou caminho sem pressa em ondas de confiança
colleccionando sensações
de mão dada a uma criança
também tropeço frequentemente
remato pedras
percorro passeios sem passear
passeio-me nos dias que me atropelam
torço o tornozelo
desequilibro-me na paisagem
ora ando por andar, ora passeio a sorrir, a cantar
frequentemente vôo ao sabor das emoções
de asa partida descrente
contra o vento
em vôo picado
flutuando na espuma do rebentamento...
E tu como andas?
adc
Vou à estante desarrumar, destacar, desviar a poesia que incomoda nos livros fechados.
junho 20, 2009
maio 26, 2009
Quase um poema de amor
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
Miguel Torga
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
Miguel Torga
abril 22, 2009
Liberdade
A liberdade
é um menino
de todas as cores.
A liberdade
é um guarda-chuva
a apanhar sol.
A liberdade
é um malmequer
a perfumar a própria sombra.
A liberdade
é uma baía
onde mora a poesia.
A liberdade
é uma andorinha
a desenhar a Primavera.
A liberdade
é ter asas e saber
voar com elas, através das janelas.
A liberdade
é a última coisa
que se pode perder.
José Jorge Letria
é um menino
de todas as cores.
A liberdade
é um guarda-chuva
a apanhar sol.
A liberdade
é um malmequer
a perfumar a própria sombra.
A liberdade
é uma baía
onde mora a poesia.
A liberdade
é uma andorinha
a desenhar a Primavera.
A liberdade
é ter asas e saber
voar com elas, através das janelas.
A liberdade
é a última coisa
que se pode perder.
José Jorge Letria
janeiro 26, 2009
Ilumina o céu nocturno, o céu limpo.
Altera o meu ritmo, rodeia-me e persegue-me.
Exibe sempre a mesma face, a mesma expressão.
Pronuncia-se e sorri conforme o humor.
Inquieta-me nessa luz emprestada e rouba-me a segurança da sombra.
Desprotegida provoca, atrai... Inventa marés.
Uma face oculta brilha sem ser olhada.
Vou repousar nesse mar de tranquilidade... Cabeça na lua e molhar os pés.
adc
Altera o meu ritmo, rodeia-me e persegue-me.
Exibe sempre a mesma face, a mesma expressão.
Pronuncia-se e sorri conforme o humor.
Inquieta-me nessa luz emprestada e rouba-me a segurança da sombra.
Desprotegida provoca, atrai... Inventa marés.
Uma face oculta brilha sem ser olhada.
Vou repousar nesse mar de tranquilidade... Cabeça na lua e molhar os pés.
adc
janeiro 19, 2009
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria... Ah, com que esmola a aquecerei?...
Fernando Pessoa
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria... Ah, com que esmola a aquecerei?...
Fernando Pessoa
janeiro 08, 2009
Vidro, areia, água, pedra, papel...
Desenho em vidro embaciado
Piso areia molhada
Gravo na água condensada
Ilustro a espera!
Inteiro ou rasgado
Qualquer papel
A lápis de cor, já gasto
Lápis derretido de cera
Pingam gotas do pincel
Provoca, agita, respira
Giz risca a pedra de ardósia
Apaga o negro do fundo
Marco presença a têmpera, guache e aguarela
Rasgo de cor olhares do Mundo
A vida é bela!
adc
Desenho em vidro embaciado
Piso areia molhada
Gravo na água condensada
Ilustro a espera!
Inteiro ou rasgado
Qualquer papel
A lápis de cor, já gasto
Lápis derretido de cera
Pingam gotas do pincel
Provoca, agita, respira
Giz risca a pedra de ardósia
Apaga o negro do fundo
Marco presença a têmpera, guache e aguarela
Rasgo de cor olhares do Mundo
A vida é bela!
adc
dezembro 26, 2008
Castelo
outubro 30, 2008
Vôo
Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam.
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas, as palavras voam.
Voam as palavras como águias imensas. Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.
Oh! Alto e baixo em círculos e rectas acima de nós, em redor de nós as palavras voam. E às vezes pousam.
Cecília Meireles
Bando de borboletas multicores, as palavras voam.
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas, as palavras voam.
Voam as palavras como águias imensas. Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.
Oh! Alto e baixo em círculos e rectas acima de nós, em redor de nós as palavras voam. E às vezes pousam.
Cecília Meireles
setembro 03, 2008
Grãos de areia, um mar de palavras para te contar mas é quase maré vazia e eu jamais to diria que a cada sorriso me perco no teu sal.
Forço os sentidos a reunirem todas as sensações sem olhar, ouvir, cheirar, tocar, saborear...
Um mar de palavras naufragam pouco a pouco na distância, no tempo que passa, na profundidade sem luz, sem ar e sem espaço.
Apenas os grãos de areia me vão sustentando, preenchendo os espaços da teia, da história entrelaçada do viver e esperar nada.
Maré vazia de coragem e já sem pé..
Maré cheia de certeza a cada suster de respiração.
Ondas de frequência incerta rebentam no meu coração e um mar de palavras enrola-se na areia, silenciando a minha canção.
adc
junho 18, 2008
Fita
Guita pendura, amarra, ata pouco bonita
Não escapo entre nó cativa.
Consistente assim, forte fita de nastro,
Me apresento à luz de cuidados, coerente.
Atilho de vestido não é somente decorativo ou enfeite colorido,
Atracção atada do olhar à lua, de átomo a astro.
Fita de cetim de excessivo fulgor, exagerada ousadia,
Compõe laço no cabelo impedido de esvoaçar e reflectir a luz do dia.
Fita de seda ou organza adorna o pulso,
Segura tesouro com confiança ou simples missanga,
Conforme o desafio inesperado, apetecido
Brilhante, suave, delicada
Guita, fita, cordão umbilical que liga mundos, emoções, planos, dimensões
De energia, pele, impressões…
Amarrada, laçada ou livre, esvoaçante guita, atilho, tira, cordel… uma fita.
adc
Não escapo entre nó cativa.
Consistente assim, forte fita de nastro,
Me apresento à luz de cuidados, coerente.
Atilho de vestido não é somente decorativo ou enfeite colorido,
Atracção atada do olhar à lua, de átomo a astro.
Fita de cetim de excessivo fulgor, exagerada ousadia,
Compõe laço no cabelo impedido de esvoaçar e reflectir a luz do dia.
Fita de seda ou organza adorna o pulso,
Segura tesouro com confiança ou simples missanga,
Conforme o desafio inesperado, apetecido
Brilhante, suave, delicada
Guita, fita, cordão umbilical que liga mundos, emoções, planos, dimensões
De energia, pele, impressões…
Amarrada, laçada ou livre, esvoaçante guita, atilho, tira, cordel… uma fita.
adc
maio 28, 2008
Olhares
Olhares frios, amedrontados, olhares tristes e envergonhados
Olhares tantos e tantos olhares…
Há sede de olhares!
Olhares azuis, verdes ou castanhos, não interessa a cor, raça ou sequer tamanhos!
Olhares…
Olhares que observam alguém, que se cruzam, olhares que se admiram e se criticam também.
Olhares que ambicionam, olhares que perturbam, que penetram e olhares que te rasgam.
Há imensos olhares passageiros… sinto sede de olhares, olhares verdadeiros!
Olhares que saciam e satisfazem.
Quero mais e melhores olhares…
Aliás quero um olhar! Um olhar intenso, olhar real. Um olhar que aqueça, olhar que estremeça e me adormeça…
Não sei onde ele está! Olho em redor, olho em diante… estará assim tão distante? Quero esse olhar sincero… Onde pairam os olhares?
Olhares tantos e tantos olhares…
Há sede de olhares!
Olhares azuis, verdes ou castanhos, não interessa a cor, raça ou sequer tamanhos!
Olhares…
Olhares que observam alguém, que se cruzam, olhares que se admiram e se criticam também.
Olhares que ambicionam, olhares que perturbam, que penetram e olhares que te rasgam.
Há imensos olhares passageiros… sinto sede de olhares, olhares verdadeiros!
Olhares que saciam e satisfazem.
Quero mais e melhores olhares…
Aliás quero um olhar! Um olhar intenso, olhar real. Um olhar que aqueça, olhar que estremeça e me adormeça…
Não sei onde ele está! Olho em redor, olho em diante… estará assim tão distante? Quero esse olhar sincero… Onde pairam os olhares?
Andreia Peres
maio 04, 2008
Aqui
Aqui, neste misérrimo desterro
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma — quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.
Ricardo Reis
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma — quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.
Ricardo Reis
abril 28, 2008
Mimo
abril 16, 2008
Sabor a...
Abriga-me
Conforme a taça do doce
Misturado de cacau,
Nos lábios saboreados,
Sabor a ti,
Fundindo, queimando.
Guardo-te
Como quadradinho de chocolate
Embrulhado em prata amarrotada,
Nas tuas mãos, nos teus braços,
Abraçados,
Derretendo, fervendo.
adc
Conforme a taça do doce
Misturado de cacau,
Nos lábios saboreados,
Sabor a ti,
Fundindo, queimando.
Guardo-te
Como quadradinho de chocolate
Embrulhado em prata amarrotada,
Nas tuas mãos, nos teus braços,
Abraçados,
Derretendo, fervendo.
adc
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