Preenche os espaços vazios, a cadeira, o lugar à mesa, o copo, o prato.
Preenche as horas do final do dia. Ocupa os segundos que teimam escapar, tempo de espera, tempo que mato.
Preenche o silêncio que adormece.
Abre a gaveta vaga, usa a toalha do par.
Ocupa a almofada do lado, substitui a noite que arrefece.
Escreve nas linhas, nas margens das folhas.
Liga o interruptor e prenche de luz tudo que olhas.
Ouve as palavras e responde às questões... segredar, murmurar. Formula respostas que tapam as fendas do caminho a pisar.
Preenche os espaços vazios da boca, do respirar, o espaço vazio das mãos.
Obriga-me a abrir a janela pela manhã.
Preenche o escuro com luz do sol e sal do mar.
Balança a minha tranquilidade e alimenta o meu acordar.
adc
Vou à estante desarrumar, destacar, desviar a poesia que incomoda nos livros fechados.
janeiro 28, 2008
janeiro 17, 2008
Frestas
dezembro 17, 2007
Quantificar a dor em miligramas de morfina,
medindo o equilíbrio na dosagem...
procurando o alívio no mundo dos sonhos.
O auxílio de Morfeu,
na sonolência abrigando-se
a dor de alterada imagem do exterior e interior do eu.
Quantificar o sofrimento em lágrimas, em cápsulas
da dor que sabe a sal e não passa na epiglote,
geme e zune no tímpano,
se espalha nas terminações nervosas livres
e rasga a pele... por dentro, por fora.
Rasga o tempo pretérito
mergulha no tempo agora.
Mede o poder de um sorriso
sem esforço, espontâneo.
Essa dor que vi em ti,
entranhou em mim sem consentimento
despedaçando a expressão do olhar,
dilacerando a consistência do sentimento do juízo.
adc
medindo o equilíbrio na dosagem...
procurando o alívio no mundo dos sonhos.
O auxílio de Morfeu,
na sonolência abrigando-se
a dor de alterada imagem do exterior e interior do eu.
Quantificar o sofrimento em lágrimas, em cápsulas
da dor que sabe a sal e não passa na epiglote,
geme e zune no tímpano,
se espalha nas terminações nervosas livres
e rasga a pele... por dentro, por fora.
Rasga o tempo pretérito
mergulha no tempo agora.
Mede o poder de um sorriso
sem esforço, espontâneo.
Essa dor que vi em ti,
entranhou em mim sem consentimento
despedaçando a expressão do olhar,
dilacerando a consistência do sentimento do juízo.
adc
novembro 27, 2007
Reticências
Somos equidistantes pontos em dimensões diversas.
Com paralelas intenções em matriz desigual.
Em equilíbrio deslocas-te, em ciclo, simetria.
Encontro-te em linha diagonal, vertical, horizontal.
Qualquer língua sem fronteira, pronunciamos com limite.
Corpos submersos e razão vadia...
Marcados na pele, nos gestos, aroma, olhar sem névoa ou bruma.
Riscados, rabiscados em cada página, rasurada a escrita e a imagem.
Plena de reticências... vazia de ser, de estar...
Profere qualquer palavra que se preze, registe e não suma.
Abriga-me no canto da folha, dentro de ti e fora da margem.
Com paralelas intenções em matriz desigual.
Em equilíbrio deslocas-te, em ciclo, simetria.
Encontro-te em linha diagonal, vertical, horizontal.
Qualquer língua sem fronteira, pronunciamos com limite.
Corpos submersos e razão vadia...
Marcados na pele, nos gestos, aroma, olhar sem névoa ou bruma.
Riscados, rabiscados em cada página, rasurada a escrita e a imagem.
Plena de reticências... vazia de ser, de estar...
Profere qualquer palavra que se preze, registe e não suma.
Abriga-me no canto da folha, dentro de ti e fora da margem.
adc
novembro 11, 2007
novembro 01, 2007
Registo
Abri o livro
e deixei-te registar a tua presença, a tinta permanente.
Com lacre selaste a página,
como se este fosse teu abrigo.
Rodeaste-me, sublinhaste-me, atribuí-te esse poder.
Permiti-me corpo sentido e razão ausente,
melodias, rasgos de luz, raios de sol... Ninguém imagina.
Colori imagens, fragmentos da vida
a guache azul e sol purpurina.
adc
e deixei-te registar a tua presença, a tinta permanente.
Com lacre selaste a página,
como se este fosse teu abrigo.
Rodeaste-me, sublinhaste-me, atribuí-te esse poder.
Permiti-me corpo sentido e razão ausente,
melodias, rasgos de luz, raios de sol... Ninguém imagina.
Colori imagens, fragmentos da vida
a guache azul e sol purpurina.
adc
outubro 23, 2007
outubro 18, 2007
...arepse ad atlov à oiasnE

Espera ficar ocupado para não sentir
Viver os teus sonhos sem dormir.
Espero que respondas e o sol rasgue as nuvens para eu respirar.
Que se dissipe toda essa neblina...
Sem levantar qualquer outra questão.
Aguarda, confia no olhar, na emoção.
Porquê?
Porque não?
Porque não termina?
Porque insistes em esperar?
adc
outubro 08, 2007
outubro 01, 2007
Ensaio à volta da espera - 5
Espera no lado da lua que nunca aquece, na sombra persistente em que teu coração arrefece.
No sofá da sala, chegará a hora de olhar as fictícias vidas de outros para não viver a tua.
À porta, porque fazes cerimónia ou descalça os sapatos que teimosamente escolhem percorrer a rua.
Espera chegar a horas aos compromissos, esperando o relógio por ti, segundo a segundo sem parar.
Espera por mim, entretanto vou chegar.
Tudo de bom te acontecerá, só porque ficaste sentado à espera.
Espera não cometeres erros e acertar à primeira.
Confia que nesta vida não será necessário esperar mais.
Convido-te a aguardar na sala de espera, porém a vida passa sem te chamar.
adc
No sofá da sala, chegará a hora de olhar as fictícias vidas de outros para não viver a tua.
À porta, porque fazes cerimónia ou descalça os sapatos que teimosamente escolhem percorrer a rua.
Espera chegar a horas aos compromissos, esperando o relógio por ti, segundo a segundo sem parar.
Espera por mim, entretanto vou chegar.
Tudo de bom te acontecerá, só porque ficaste sentado à espera.
Espera não cometeres erros e acertar à primeira.
Confia que nesta vida não será necessário esperar mais.
Convido-te a aguardar na sala de espera, porém a vida passa sem te chamar.
adc
setembro 21, 2007
Ensaio à volta da espera 4

Estático, na sala de espera, aguardando a felicidade... grandes eventos, fortuna, euforia.
Aguarda por outros que esperam como tu, adiando o sorriso, a lágrima, a paz, a dor. Espera que alguém por ti sinta e viva, chore e ria.
Espera para ir ou para voltar, sorrir, luz, calor, amar.
Espera pela companhia... homens e mulheres esperam por ti, por mim, por eles. Aguardam os hábitos, costumes, amarrados a rotinas que esperam que terminem.
Na sala de triagem, acredita que serás o escolhido pela sorte, pelo acaso, pelos teus lindos olhos para usufruir melhor do que os restantes, desta viagem.
Espera pelo bem-estar, paz interior, saúde, descansar. Que o tempo se mova cá fora, quando devia mover-se lá dentro.
Na antecâmara da vida, espera sem a sentir.
Espera, espera que "melhores dias hão-de vir".
Na sala de espera, no banco de jardim, no café da esquina, acredita na alma gémea, no grande amor.
Que a noite se acabe e o sol aqueça.
Aguarda a saúde, ausência física e psicológica de dor.
À janela entreaberta, de cortinas mimosas e seguras, o coração palpitante. Um vaso florido a completar o quadro, espera pelo amor, amante.
adc
setembro 17, 2007
Ensaio à volta da espera 3
... sem decisões que nos limitem, que nos definam, que nos enlacem.
Na sala de espera desfaleço aos poucos. Esforço-me por manter os olhos abertos, espero que não reparem na minha sonolência, ausência... Esforço-me por manter os ouvidos atentos, quero ouvir o meu número, o meu nome, a minha vez...
Depois, espero não ter que esperar mais, espero que não demore, espero que a notícia seja a melhor.
Constantes esperas na totalidade da vida!
Bastam nove meses de espera que já de si terão de ser bem vividos, plenamente sentidos, desejados, queridos.
Jamais se espera pelo final, nunca se espera pelos momentos de impasse, espera. Porém tudo se pode esperar!
Espera que o resultado seja o melhor possível.
Que saia a palavra mais esperta.
Aguarda que te olhem, mais uma vez.
Que toque a música certa.
Espera voltar atrás e saltar para o momento à frente.
Que o telefone toque e treme a cada onomatopeia.
Aguarda toda a gente.
Que os outros ganhem para sentir a sua alegria.
Espera pela inspiração que tem feitio próprio, de teimosia, raridade e te escorre por entre os dedos como areia.
adc
Na sala de espera desfaleço aos poucos. Esforço-me por manter os olhos abertos, espero que não reparem na minha sonolência, ausência... Esforço-me por manter os ouvidos atentos, quero ouvir o meu número, o meu nome, a minha vez...
Depois, espero não ter que esperar mais, espero que não demore, espero que a notícia seja a melhor.
Constantes esperas na totalidade da vida!
Bastam nove meses de espera que já de si terão de ser bem vividos, plenamente sentidos, desejados, queridos.
Jamais se espera pelo final, nunca se espera pelos momentos de impasse, espera. Porém tudo se pode esperar!
Espera que o resultado seja o melhor possível.
Que saia a palavra mais esperta.
Aguarda que te olhem, mais uma vez.
Que toque a música certa.
Espera voltar atrás e saltar para o momento à frente.
Que o telefone toque e treme a cada onomatopeia.
Aguarda toda a gente.
Que os outros ganhem para sentir a sua alegria.
Espera pela inspiração que tem feitio próprio, de teimosia, raridade e te escorre por entre os dedos como areia.
adc
setembro 14, 2007
Ensaio à volta da espera 2
Entretém-te a observar a humidade da parede rosa desmaiado;
o tecto falso, que não mente, meio desmontado;
a janela de madeira com a tinta lacada a saltar;
os tubos do aquecimento arrancados que parecem ter mudado de ideias...
Há cadeiras vazias e personagens de pé, porque nem sempre aproveitamos o que a vida nos oferece.
Telefones teimam em tocar, na recepção. Conta os toques, ouve disfarçadamente a conversa, sem intenções de a memorizar.
Os segundos forçam os minutos.
Cruza e volta a cruzar as pernas, em grito silencioso de situação incómoda de espera, de ansiedade. Aguarda, aguarda, calma, paciência... Inventa assunto no teu monólogo interior. Lê os cartazes afixados: "- Suporte básico de vida."
A espera parece-me também um suporte básico de vida! Passamos a vida à espera que tudo aconteça.
Todas as manobras simples de socorro, das quais nunca te lembras...
Ouve o ranger das portas.
Há encontros de pessoas que afinal se conhecem... frequentadores assíduos da recepção e sala de espera.
O tilintar dos instrumentos nas salas onde não entras, espaços da vida que te estão vedados.
Passos das solas de borracha no piso de linóleo abanam suavemente o teu pensamento.
"- Já está...!"
Saímos apressadamente como se tivessemos atingido a nossa meta. Quase corremos para logo sentar ao portão, em companhia da dor, da incerteza, angústia, irritação...
Preferimos, a maior parte das vezes, continuar na sala de espera anos a fio sem grandes decisões...
adc
o tecto falso, que não mente, meio desmontado;
a janela de madeira com a tinta lacada a saltar;
os tubos do aquecimento arrancados que parecem ter mudado de ideias...
Há cadeiras vazias e personagens de pé, porque nem sempre aproveitamos o que a vida nos oferece.
Telefones teimam em tocar, na recepção. Conta os toques, ouve disfarçadamente a conversa, sem intenções de a memorizar.
Os segundos forçam os minutos.
Cruza e volta a cruzar as pernas, em grito silencioso de situação incómoda de espera, de ansiedade. Aguarda, aguarda, calma, paciência... Inventa assunto no teu monólogo interior. Lê os cartazes afixados: "- Suporte básico de vida."
A espera parece-me também um suporte básico de vida! Passamos a vida à espera que tudo aconteça.
Todas as manobras simples de socorro, das quais nunca te lembras...
Ouve o ranger das portas.
Há encontros de pessoas que afinal se conhecem... frequentadores assíduos da recepção e sala de espera.
O tilintar dos instrumentos nas salas onde não entras, espaços da vida que te estão vedados.
Passos das solas de borracha no piso de linóleo abanam suavemente o teu pensamento.
"- Já está...!"
Saímos apressadamente como se tivessemos atingido a nossa meta. Quase corremos para logo sentar ao portão, em companhia da dor, da incerteza, angústia, irritação...
Preferimos, a maior parte das vezes, continuar na sala de espera anos a fio sem grandes decisões...
adc
setembro 13, 2007
Ensaio à volta da espera 1
Tal qual aranha na teia... aguarda-se... Uns partem, outros chegam.
Vidas, perfis, caminhos vários, assim como a sua aparência, cor de cabelo, inclinação do nariz...
Têm conversas de conteúdo diverso: viagens, transportes, saúde, futuro e silêncios de conteúdos distintos.
Olhares que se evitam por não se conhecerem, por nem quererem conhecer-se.
Como passa o tempo na sala de espera?
Lê-se o jornal, a revista feminina, desloca-se à máquina de café (muito açúcar, pouco açúcar e sem açúcar não?!). Atenção à chamada na coluna de som ou directamente pelo técnico de serviço. Espreita-se à janela, fala-se dos minutos de atraso.
Na sala de espera, as expressões são de apreensão, impaciência, inquietação, (sala de) desespero.
Os minutos passam. Alguns sorrisos registam-se pelo término da espera dos acompanhantes , pelo final do exame do enfermo ou pela chegada da sua vez.
Pouco a pouco a sala de espera esvazia-se... Ainda há braços apoiados à espera, pernas cruzadas, pés que abanam, passos que se repetem no corredor.
Pouco a pouco os estômagos também se esvaziam!
Mais conversas de circunstância vão preenchendo sem sucesso a demora.
Entretém-te a observar o espaço, tal qual aranha na teia... pacientemente até capturar a alma das personagens, o espírito da sala de espera...
adc
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