Vou à estante desarrumar, destacar, desviar a poesia que incomoda nos livros fechados.
fevereiro 13, 2007
Where do I live
Permanecer num paradigma sem equilíbrio, sem a sintonia que todo o universo impinge! Sem exposição solar... à luz de outros olhos.
Arrastar-se já pelo tempo, dos dias, dos anos, sem adicionar nem questionar.
Não medir, não pesar, não reflectir a própria imagem.
Sem retorno ou rewind. Don't measure! Please, rewind me back there...
fevereiro 12, 2007
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
Mário Cesariny
fevereiro 11, 2007
Desafio-te desajeitadamente
desembrulho-te
desarrumo-te
desoriento-te
desato-te
desencanto-te
desenlaço-te
desacerto-te
desaconselho-te
desafino-te
desalinho-te
desaparafuso-te
desarmo-te
descontrolo-te
desafio-te
desejo-te
adc
Conversa
Eu não escrevo para os outros. Recuso-me a tal! Escrevo para mim, sobre os outros... escrevo para dentro. Só assim faz sentido!
É muito difícil escrever porque queremos sempre superar-nos, a cada dia. Sem repetições, sem frases feitas... com sentido crítico, mordazmente escrever sobre o que nos dá na telha... se não lerem, se não comentarem, se não entenderem, não me incomodo.
Volta mesmo que já tenhas dito que foste... o teu regresso a este bloco de notas, pode ser escrito com o sentido, a cor, a letra... que entenderes.
janeiro 28, 2007
Noi due
di sogni, né di saghe, leggende, riti,
strumenti ad arco, non abbiamo
bisogno di smalti, stucchi, porcellane,
è nitido il motivo a spirale
dei nostri polpastrelli, il foro
uditivo sormontato da una conchiglia
di carne, che sfiorata con mani
o punta di lingua irradia
ovunque la febbre, il tremore,
il precipizio del sangue, è limpido,
abbagliante il senso dei nostri
organi, è chiaro l’uso del fiato,
della saliva, del dito, delle ombre
che passano nello sguardo, è sicura,
sedativa la profondità dei varchi,
delle gallerie, delle pieghe, è buona
la superficie, la punta, la tinta
dei risvolti, la stoffa e la fodera
delle carni. Su questo altare
la bibbia sono le nostre parole
roche, sfuggite per sbaglio, le nenie
dementi. Qui le divinità, tutte,
tacciono, si spengono attònite,
imparano da noi, spasmo per spasmo,
i nutrimenti terrestri.
Andrea Inglese
janeiro 25, 2007
Luzes e vozes
Colecciono imagens, fotografias, luzes
Embalo-me nas vozes que ecoam
Aconchego-me nas luzes que aquecem
Mesmo que os olhos me doam
Esses mesmos olhos não esquecem
Mesmo que os ouvidos emitam
Zumbidos incómodos que entorpecem
Nada mais perturba meu sono
Nada mais condiciona meu eu
Eu reproduzo todas as vozes
Eu antecipo todas as luzes
adc
janeiro 02, 2007
Sempre para sempre
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele
Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue, bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada, mas nada
Te faz contente, me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amor eterno
Sem nunca, talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez
Há amor de certezas
Que não trará dor
Amor que afinal
É amor,
Sem amor
O amor é tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente
É acabar de maneira igual
E recomeçar
Um amor diferente
Sempre, para sempre
Para sempre
Miguel A. Majer
dezembro 27, 2006
Estrada
Leva a uma praia
Essa estrada
Guia segura para que não caia
Essa estrada
De linhas curvas é apertada
Aperta, asfixia
Essa estrada de verde ladeada
Perigosa, tortuosa
Essa estrada
Fria, nublada
Enganada, sem ninguém
Nunca existiu essa estrada
A todas as horas
Sem horas, demoras nessa estrada
Essa estrada de vai e vem
Essa estrada
Pouco a pouco despistada
Ainda a percorro
Sem fim, sem princípio
Metro a metro lá morro
adc
novembro 26, 2006
Faz-me o favor...
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor - muito melhor!-
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny
novembro 16, 2006
novembro 15, 2006
Ninguém
Olhos de mãe fitam sem pestanejar
Arrefecem sem querer, as mãos de ninguém
Mãos de mãe aquecem até adormecer
Penduram brincos só para se ver, os ouvidos de ninguém
Ouvidos de mãe sem ouvir vão compreender
Enche-se do falso perfume de boiões, o nariz de ninguém
Nariz de mãe sente o aroma de preocupações
Insípida ao beijar, a boca de ninguém
Boca de mãe não come sem alimentar
Ninguém, vive a mentir
Marés vivas
Marés vivas
Águas turbulentas
Agitação
Ondas de ansiedade
TempestadeInquietação
No suceder de segundos infalívelEnche as ruas de águaEnche minh'alma de mágoaEscoa pelas sarjetasEscoam lágrimasAtracçãoPelo incerto, pela desgraçaPelo ínfimo espaço abertoEscorre por entre fraquezaEntranha na pele indefesaPor dentro amassaSeca tudoA maré acalmaTranquilizaSeca também a almaPor alguns instantesJamais será antes
adc
novembro 06, 2006
outubro 18, 2006
Quero partilhar!

Como se fosse (s de linho doce) Agosto... chego sempre atrasada... quase em tudo na vida.
Árvores (no deserto) de amizade verdinhas e frondosas permaneçam e surjam nas nossas vidas.
Mulher (da erva) é sinónimo de mãe, de habilidosa, corajosa, voluntariosa como tu.
A Moda (da lavoura) pode passar, voltar outra vez, mas espero que tu fiques.
O poder de diálogo, de abertura, de confiança, de dedicação, marca a tua presença.
A uma escrava que lhe ocultou o sol, não importa, porque a lua e o mar são igualmente reconfortantes.
Saias ou calças, saias ou fiques, escolho que fiques por perto.
Conta-me contos, a mim ensina-me a contar e às tuas crianças abre janelas.
E alegre se fez triste... espero que não, escolho o itinerário inverso para ti, porque eu ficarei mais alegre também.
O que ficou no ar parado: a confiança e segurança que tenho em ti, o querer fazer mais para te apoiar e não chegar lá, a amizade para além do quotidiano profissional.
Poema é tudo o que fazemos no espaço da nossa profissão, é tudo o que desejamos alcançar, porque assimilámos como uma missão a docência.
Poema nem sempre é estar de acordo, pode ser o caminho para o consenso ou o equilíbrio, o caminho para tudo na vida.
Mas, que não seja um poema de palavras sofridas e negras. Para ti quero um poema acompanhado da melodia de uma viola, de um piano com o poder de sorrisos à mistura e todas as cores do arco-íris no teu olhar.
adc
outubro 15, 2006
Caminho
| Percorro, de momento, o caminho das primeiras letras... das primeiras frases e das primeiras leituras ouvidas, faladas e pensadas... Não me resta muito para a reflexão, a procura, dentro e fora de mim. Vou tentar socorrer-me mais vezes do caderno de campo que anda perdido no meio de todos os outros cadernos, folhas... De certeza que, no meio desta desarrumação, vou tropeçar em algo que me toque... adc |

